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DesafiosHá pouco mais de um ano estive num curso ministrado por Martin Shervington, renomado autor e coach britânico (Coaching integral, Editora Qualitymark) e durante o intervalo, ele me contou que assim como eu, possui formação jurídica e que entre outras coisas, já foi instrutor de windsurf, uma de suas paixões.

– Na primeira aula – disse Martin – faço o possível para que o aluno não caia da prancha muitas vezes, pois se isso acontecer diminui muito a possibilidade de que essa pessoa consiga aprender e perseverar na prática do esporte.

Realmente, concordo com ele, ninguém deve colecionar fracassos, por isso a importância de avaliar se vale a pena encarar um desafio.

O dicionário define desafio como: Ato de instigar alguém para que realize alguma coisa normalmente, além de suas competências ou habilidades. Ocasião ou grande obstáculo que deva ser ultrapassado.

Assim, depreende-se tratar o desafio de uma expansão da zona de conforto de uma pessoa. Portanto, não devemos perder de vista a relatividade do desafio, ou seja, o que é desafio para uma pessoa pode não o ser para outra, na medida em que o desafio consiste em fazer algo extraordinário, algo fora da rotina de uma pessoa.

A superação de desafios traz uma expansão das competências de uma pessoa assim como de sua auto-estima, sendo possível até mesmo a descoberta de competências e aptidões adormecidas ou até então não utilizadas. Mas vejam bem, eu disse superação. Não sou a favor da perseguição de desafios com alto grau de risco de fracasso, pois se não for superado, produzirá um efeito rebote, trazendo uma diminuição de auto-estima e elevando o receio de errar novamente.

Concordo com o seguinte pensamento de Jonathan Kozol: ¨Escolha batalhas grandes o suficiente para serem importantes e pequenas o bastante para serem vencidas¨.

O desafio não deixa de ser uma meta e assim, sugiro um exame de viabilidade do desafio antes de ser enfrentado, respondendo às seguintes perguntas:

  1. A superação desse desafio depende somente de você? (Se outras pessoas estiverem envolvidas, você perde o controle da situação e não pode garantir o resultado)
  2. A superação do desafio,dentro de sua realidade, é possível?
  3. Quais são as minhas chances reais?

Alguns meses após a conversa com Martin, estive em Jericoacoara, eleito um dos melhores lugares do mundo para se praticar windsurf. Decidi enfrentar o desafio de aprender o esporte, considerando que seria uma boa experiência e também um bom exemplo para minha filha, que tinha 6 anos na época. Confesso que não fiz uma boa escolha, minha primeira aula foi realizada no mar e nos primeiros minutos, levei um caldo a cada onda. Depois de cair em cima da vela, a vela cair em cima de mim e outras variáveis, pensei em desistir mas me lembrei da conversa com Martin e consegui terminar a aula de pé.